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Eterna Busca

Sinto que está faltando em minha vida, algo, alguém, alguma coisa, não sei ao certo.
Tenho muitos amigos, coisas, tudo que quero, mas falta alguma coisa.
Só sei de uma coisa: essa deve ser a razão da minha infelicidade…
Quero me separar de tudo apenas pra descobrir o que me falta.

Mas às vezes penso… Talvez essa seja a razão do meu viver
Tá… Se eu descobrir o que me falta será que correrei atrás disso?
Não sei… E se eu for procurar por isso e achar… Depois o que faço?
Será que irei acabar sentindo falta de outra coisa?

Autoria de: Jorge Van Der Jeff

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O Ronco da Sirene

noiteEra meio tarde. E eu não conseguia dormir. Fazia muito calor e eu estava suando feito um porco e, além disso, minha mãe roncava pra caraio. Não agüentava mais, casa pequena e ainda tendo que dormir com a coroa. Resolvi sair de casa para esfriar a cabeça. Vesti uma bermuda e uma regata e sai pra dar uma volta. Caminhei por uns 15 minutos e tudo parecia bem. Mas, logo depois de avistar dois homens saindo correndo do banco com sacos (acho que cheios de dinheiro), eu fiquei com medo. Vinham rapidamente em minha direção e eu não sabia o que fazer. Um deles trombou em mim e o outro passou correndo e me encarando. Até que eles pararam para conversar, virados de costas para mim aprontando os sacos para acomodar naquele bote possante deles. Isso em questão de segundos. E eu, coitado, tremia de medo.

Mais cinco minutos e eu consegui ver um deles guardando tudo enquanto o outro vigiava. Dois segundos de descuido da dupla enquanto tornaram a conversar e eu tomei conta da barca de quatro rodas e zarpei. Carro nível peneira depois dos tiros, mas pelo menos não me alcançaram. Não sei se foi falta de prática deles ou sorte minha, mas agora isso não tem nenhuma importância: eu estava ali, dirigindo e sabendo que fazia justiça me achando o Chuck Noris. Indo em direção há um posto policial fazer a devolução dos sacos! Já fazia todos os planos possíveis. Estava crente da minha recompensa depois de uma rápida conferida de que era dinheiro mesmo: talvez um carro novo, ou mesmo uma motoca tava ótimo. E ainda consegui salvar o dinheiro de um banco!

sireneA cinco quadras do meu destino vi no retrovisor que três carros dos gambé tavam me seguindo com a porra da sirene ligada. Não queria acreditar! Ah, mas pra quem já passo o rodo em dois ladrões o que é se livrar da polícia? Não brinca, veio mais um e me fechou. Pronto, estava sem saída, com o maior cagaço. Sai com as mãos para cima, calça borrada e tal, aquele mesmo ritual chato que tanto via na TV e dava risada dos maloqueiros e tudo mais. Como que pode? Eu tava certo! Não me deram chance nem de dar os pitaco lá, de contar o que estava acontecendo! Algema nos pulso e me mocaram no camburão. Direto pra delegacia. Ai por mais que tudo esse problema aconteceu eu tinha esperança de me justificar na delegacia. Que nada, nem me deixaram fala. Eu me irritei naquela merda levantei e sai chutando o pau da barraca e falando o que me vinha de xingamento na cabeça. Aí sim me prenderam. Mal falei com minha mãe pelo telefone e, como eu esperava dela, nem estava com esperanças alguma de ternura ou carinho a parte. Eu era filho apenas do meu pai com outra mulher, amante, que depois foi morar no México e nunca mais deu noticias. Entende? Eu morava com ela de favor… E pagar para sair? Com qual dinheiro? Nem mesmo estava preocupado com as visitas. Sem emprego, sem amigos, sem mulher, pai viciado na bebida…

326974_38239126Um papel e uma caneta que escondo embaixo do colchão furado, deitado com a mesma regata com alguns furos e a mesma bermuda. Agora, aqui escrevo o que podia ser minhas Epístolas, mas se tornou o apocalipse. Fui forçado a viver eternamente nessa cela, quero dizer lixo. Obrigado a ver o sol nascer quadrado e a ser confinado a lembrar daquele ronco de minha mãe (que trouxe uma sensação de karma) que ascendeu e se transformou num ronco de quatro machos enlatados no mesmo quarto. Ao nascer do sol quadrado e trancafiado. Esperando pelo julgamento que TALVEZ venha a acontecer e lamentando a minha vontade de tentar fazer o bem.

Autoria de: Janson Salvatori

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