O Ronco da Sirene

noiteEra meio tarde. E eu não conseguia dormir. Fazia muito calor e eu estava suando feito um porco e, além disso, minha mãe roncava pra caraio. Não agüentava mais, casa pequena e ainda tendo que dormir com a coroa. Resolvi sair de casa para esfriar a cabeça. Vesti uma bermuda e uma regata e sai pra dar uma volta. Caminhei por uns 15 minutos e tudo parecia bem. Mas, logo depois de avistar dois homens saindo correndo do banco com sacos (acho que cheios de dinheiro), eu fiquei com medo. Vinham rapidamente em minha direção e eu não sabia o que fazer. Um deles trombou em mim e o outro passou correndo e me encarando. Até que eles pararam para conversar, virados de costas para mim aprontando os sacos para acomodar naquele bote possante deles. Isso em questão de segundos. E eu, coitado, tremia de medo.

Mais cinco minutos e eu consegui ver um deles guardando tudo enquanto o outro vigiava. Dois segundos de descuido da dupla enquanto tornaram a conversar e eu tomei conta da barca de quatro rodas e zarpei. Carro nível peneira depois dos tiros, mas pelo menos não me alcançaram. Não sei se foi falta de prática deles ou sorte minha, mas agora isso não tem nenhuma importância: eu estava ali, dirigindo e sabendo que fazia justiça me achando o Chuck Noris. Indo em direção há um posto policial fazer a devolução dos sacos! Já fazia todos os planos possíveis. Estava crente da minha recompensa depois de uma rápida conferida de que era dinheiro mesmo: talvez um carro novo, ou mesmo uma motoca tava ótimo. E ainda consegui salvar o dinheiro de um banco!

sireneA cinco quadras do meu destino vi no retrovisor que três carros dos gambé tavam me seguindo com a porra da sirene ligada. Não queria acreditar! Ah, mas pra quem já passo o rodo em dois ladrões o que é se livrar da polícia? Não brinca, veio mais um e me fechou. Pronto, estava sem saída, com o maior cagaço. Sai com as mãos para cima, calça borrada e tal, aquele mesmo ritual chato que tanto via na TV e dava risada dos maloqueiros e tudo mais. Como que pode? Eu tava certo! Não me deram chance nem de dar os pitaco lá, de contar o que estava acontecendo! Algema nos pulso e me mocaram no camburão. Direto pra delegacia. Ai por mais que tudo esse problema aconteceu eu tinha esperança de me justificar na delegacia. Que nada, nem me deixaram fala. Eu me irritei naquela merda levantei e sai chutando o pau da barraca e falando o que me vinha de xingamento na cabeça. Aí sim me prenderam. Mal falei com minha mãe pelo telefone e, como eu esperava dela, nem estava com esperanças alguma de ternura ou carinho a parte. Eu era filho apenas do meu pai com outra mulher, amante, que depois foi morar no México e nunca mais deu noticias. Entende? Eu morava com ela de favor… E pagar para sair? Com qual dinheiro? Nem mesmo estava preocupado com as visitas. Sem emprego, sem amigos, sem mulher, pai viciado na bebida…

326974_38239126Um papel e uma caneta que escondo embaixo do colchão furado, deitado com a mesma regata com alguns furos e a mesma bermuda. Agora, aqui escrevo o que podia ser minhas Epístolas, mas se tornou o apocalipse. Fui forçado a viver eternamente nessa cela, quero dizer lixo. Obrigado a ver o sol nascer quadrado e a ser confinado a lembrar daquele ronco de minha mãe (que trouxe uma sensação de karma) que ascendeu e se transformou num ronco de quatro machos enlatados no mesmo quarto. Ao nascer do sol quadrado e trancafiado. Esperando pelo julgamento que TALVEZ venha a acontecer e lamentando a minha vontade de tentar fazer o bem.

Autoria de: Janson Salvatori

1 comentário

Arquivado em Contos

Quarta-feira

pooonte1

Quarta-feira. Era dia de jogo e o Coringão ia joga. Botei na Band. Não coloquei na Globo porque odeio as merdas que o Galvão fala. Cerveja na mesinha e o sofá era só meu.A partida começa e de cara, no começo do jogo, me marcam um penalti contra o Timão. Puta que o pariu! Não foi porra!Lá foi aquele viadinho daquele atacante bater. Gol. Fiquei emputecido. Logo depois teve impedimento no ataque do alvinegro. Puta merda…. Tão de sacanagem com a gente ,cara! Soltava palavrões a toda hora. E minha mulher me olhava com aquela cara que parecia o satanás. Ela ia naquelas igrejas onde aqueles pastores enchiam a cabeça dela de merda. Isso me deixava mais puto ainda. 38 do primeiro tempo. O desgraçado do juiz marca uma falta na entrada da área. Gol dos caras. Aí não deu. Taquei o copo de cerveja na parede. Minha mulher veio até a sala e falou que eu era um louco, que eu era um viciado no Timão e que aquilo me fazia mal. Aí não! Não admito isso. Falar mal do Corinthians? Na minha casa?Nunca! Ela ainda falou que aquilo tudo era coisa do capeta e que eu tava alterado, que eu parecia um drogado. Não me agüentei. Empurrei a vadia no sofá e aproveitei que o intervalo pra compra mais “bera”. Uns dias antes eu tinha discutido com ela e acabei por dar uma bofetada no braço da Cleusa. Quando voltei pra casa ela não tava mais. E quando olho pra TV…… FILHA DA PUTA! Expulsaram o Dentinho caralho! Filho da puta!!!! Tinha mais aquela puta que não aparecia e minha cabeça parecia explodir! Pra me foder de vez a cerva tava quente e eu não tava me agüentando. Rezei pra todos os santos e prometi que se o Todo Poderoso virasse o jogo eu voltava a freqüenta a igreja. Foi aí que o Herrera foi lá e mostrou porque que queria ser contratado. O lazarento não tinha feito nada, mas no segundo tempo ele voltou que nem um loco mano. Tava mostrando raça e o gol parecia que ia acontece. Só que aí, numa das entradas dele o juizão foi lá e deu o segundo amarelo pra nós. Não podia fica assim, o Coringão sem atacante e faltando 30 minutos pra acabar o jogo. A mulher apareceu.Rezei de novo e mais nada. É… Parecia que a gente ia perde mesmo. Cleusa já me olhava com uma cara daquelas de quem acha que ta com a razão.

O jogo acabou e eu desliguei a tv puto da vida.Todo aquele barulho na minha cabeça e a puta da minha esposa diz –Eu não disse que isso não presta?.Aah não, meu!Explodi no mesmo segundo e meti um no meio da cara dela!Como que fala assim na minha casa?Eu bufava de raiva e via ela se levantar e pegar uma garrafa de cerveja e se aproximar.Segurei os seus gordos  braços,a joguei no chão e sente  a mão nela até não resistir mais.Como que me expulsam o dentinho no começo do jogo?Juiz filho da puta!E aquele rosto ensangüentando sendo amaciado pelos meus pulsos surgiram na minha frente como se tudo estivesse sendo focalizado.Meu coração começou a bater mais forte do que na final da ultima libertadores que disputamos.Ela não tava mais respirando,meu.Me fodi.Fiz a maior cagada da minha vida no dia mais cagado dela.O barulho da minha cabeça foi tomada por um silêncio ensurdecedor.Eu tinha que dar um fim nisso.

Juntei todas as camisetas do Corinthians da minha coleção,coloquei no meio da sala e taquei fogo.Deitei do lado da minha esposa e esperei o fogo tomar conta da casa, o que não ia demorar muito,ja que a gente morava num 60m².

Parecia um daqueles rituais satânicos que a minha mulher tanto falava.Só faltava a galinha preta ,pipoca e cachaça.O calor aumentava e é  era difícil respirar . O fogo já tava a menos de 2 metros de mim ja ,tava começando a arder.A não meu.Já chega uma cagada no dia.Levantei,consegui ainda pegar uma cachaça no armário e tomei um onibus.Cheguei na beira do rio São Jorge,sentei,bebi,chorei e dormi.Por que tudo isso?Porque aqui não tem vez,mano.É tudo maloqueiro sofredor.

Autoria de: Colferico

1 comentário

Arquivado em Contos

Cinema, por que dessa desvalorização?

giorno

Por que? Por que é que toda vez que eu vou ao cinema ou à uma locadora a maioria das opções continuam sendo os filmes hollywoodianos? Parece que os filmes europeus, brasileiros, asiáticos e latinos não são tão valorizados por nós quanto deveriam ser. Essa semana fui à 65ª Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza em 2008, que por sorte ocorreu em Curitiba/Paraná no pequeno, mas não ruim cinema do shopping Novo Batel. Além de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife. Tive a sorte e a oportunidade de apreciar dois filmes de graça e de ótima qualidade: “Um giorno perfetto” e “Pranzo di Ferragosto”(Almoço em Agosto). Não vou ficar aqui descrevendo eles, pois a intenção do tópico não é indicar os filmes e sim protestar.Pena que não pude ver todos, pois foram exibidos um a cada dia da semana. Logo depois de assistir à esses dois ótimos filmes, me perguntei por que é que filmes deste tipo não chegam ao cardápio brasileiro de filmes? Não estou dizendo que as produções norte americanas são piores, mas a questão é que poderiam ao menos oferecer mais opções para nós. Muitas vezes o cinema nacional não é valorizado por nós, e me pergunto outra vez: por que? Será que o público realmente gosta de “pagar pau” pra americano? Ou será que nós não temos cultura suficiente para apreciar um bom filme? Gostaria que mais valor fosse atribuído às nossas produções e às de outros países. Fica aqui o meu protesto.

pranzo

De autoria de: Um CUritibano

Deixe um comentário

Arquivado em Opine!

Uma mensagem, um enigma!

11

E então as mazelas de sua liberdade foram extintas, pois estavam entrelaçadas com uma adoração de um fragmento, isolado…

E ainda pensante disseminou em seu povo seu catalisador coletivo de ascensão de consciência, tornou cada coração fundido ao seu coração e cada noite a sua noite. Mas isso sem ser um vasto ardor qualquer, era uma noite que as vozes cantavam os cantos do dia tornando toda agonia em serenidade, pois apesar do escuro emudecer as palavras doces, desta vez cantava aos mais harmoniosos tons de um vasto lucubrar.

A necessidade de todos velarem e não renovarem em novos matizes sua dor, rancor e raiva se empestavam para resumir no medo da necessidade do amanhã, de usar sua dor para o descrédito da cura, seu rancor para explicar sua tristeza ou a raiva para demonstrar a injúria passada.

E assim, apagando o fogo de seus ensinamentos os deixou em brasa pungente, durante tempo. Mas não um fulgor qualquer, mas um que em cuspilhos emanava estupenda faísca e alarmava o novo, colidindo e posteriormente casando seus fogos com suas verdades. Assim, todos tinham o essencial dentro de si, e assim os cacos formaram, em sua coletividade, o mosaico que decifra a eternidade.

Logo ele sobrevém, submergindo o antigo não como arte de destruição, mas neste se espelhando para ladrilhar o alabastro que cinzela perspicazmente.

A margem da imortalidade está em nós.

De autoria de:  Janson Salvatori

1 comentário

Arquivado em Opine!

Pastelelo flustado

pastel2

Hoje me pergunto o que eu seria se não fosse um vendedor de pastel. É uma vida realmente dura. Tenho que acordar cedo, preparar a massa, colocar tudo na minha Kombi, e ir pra feira e todo dia, de segunda a segunda, tenho que estar lá pra poder sustentar meus 11 filhos. É, sabe como é né. Nunca tive muito dinheiro pra fazer nada divertido, então a minha única diversão é a minha esposa, se é que me entendem. Voltando ao que estava falando: ninguém me respeitava por causa do meu sotaque pois eu falava “Aqui tem pastel de quesso, calne, flango e flango catupilly” e até hoje é assim. Vocês devem estar se perguntando: mas como que eu virei pasteleiro? Antes disso tenho que contar como que vim parar nesse país.
Quando eu tinha 5 anos fui espancado e estrangulado por um monte de ocidentais que me mandaram em um container com os meus irmãos e mais uma penca de gente. Todo mundo espremido. Era mais ou menos umas 30 pessoas por metro quadrado. Ficamos 25 dias confinados naquele container. Os filhos da puta jogavam milho cozido pra gente comer todo dia, mas era a lei da selva: come(sobrevive) quem for mais rápido. Por causa da minha idade sempre ficava por ultimo, mas meus irmãos sempre conseguiam alguma coisa para mim e no fim não passava tanta fome assim. Passados os 25 dias, chegamos no Brasil. Foi assim que cheguei nesse país.
Bom, agora posso contar como virei esse pasteleiro frustrado. Depois de chegar, fomos mandados para uma fábrica de brinquedos onde nós faziamos a montagem final do produto. Era um regime de 20 horas por dia e se alguem não fizesse o negócio direito ficavamos todos sem comida pelo resto da semana. Foi assim por 10 anos. Então a fábrica faliu e os donos nos “libertaram”, ou seja, nos jogaram no meio da cidade de São Paulo. Imagine… Sem dinheiro, sem saber falar a lingua e com 15 anos. A única coisa que me restava era mendigar pelas ruas. Então, mendiguei, mendiguei, mendiguei, e aprendi um pouco a falar. E cheguei em um lugar chamado ” LIBERDADE” onde eu achei outros conterraneos. E um deles me acolheu e me fez de empregado em uma pastelaria, digo empregado porque ele me dava um dinheirinho e me deixava ficar na casa dele. Sempre guardava esse dinheirinho. Morei com ele até eu arranjar uma mulher. Nunca imaginei, mas me apaixonei por uma ocidental. Era secretária e muito simpática. Então fui morar no apartamento dela. Quando completei 30 anos já tinha 8 filhos e percebi que estava na hora de abrir um negócio próprio. Então peguei o dinheiro guardado e comprei uma Kombi e uma barraca dessas de montar. Passei a vender pastéis, assim virei um pasteleiro. Hoje, minha vida continua sofrida e eu tenho que alimentar os meus 11 filhos que eu nem sei se são meus. O vidinha miserável.

Autoria de: Ku Xai Chang

2 Comentários

Arquivado em Contos

Life is a Game – Will Yakabi

yasu

Sometimes we feel that the world only gets better every day
But other times we see everything falling down
And now I see that’s the way it has to be

Chorus:
Maybe life is a game
Where you can’t start all over again
Maybe life is a game
Where the players always can win

Sometimes the world can play some tricks on you everyday
That’s the way how life gets so interesting now

Chorus:
Maybe life is a game
Where you can’t start all over again
Maybe life is a game
Where the players always can win

Letra por:  Will Yakabi

Para escutar a musica, clique no link:

http://www.goear.com/listen.php?v=72e9f32

Se gostou, visite o myspace do artista:

http://www.myspace.com/yakabi

Deixe um comentário

Arquivado em Música

Fotoaula

Eu chego e não tem ninguém. O silêncio é seguro e as luzes baixas confortáveis. Uma das lâmpadas está piscando, como se estivesse prestes a apagar. Ela tenta se manter a força ,e após muita luta, consegue. É uma lição! Isso! Eu posso vir a ter algumas dificuldades, mas no fim tudo vai dar certo! Esqueci de dizer que tenho esse costume de ver ensinamentos nas mais remotas coisas desde que..f****!! Depois de um brilho forte a lâmpada se apaga e queima de uma vez! Quer dizer que eu vou ser feliz até que tudo se apaga! Esse era o plano de Tomas Edison! Dar-me uma lição! Eu podia ter me atrasado e não ter visto essa maravilha! Tem que ser algo especial!Animado com uma lâmpada, não é? A sala ainda está vazia, mas olho ao meu redor pra ter certeza que ninguém esta vendo as minhas reações. Me acalmo. Ainda sozinho. Primeiro filme do Selton Mello como diretor. Selton?Que nome tosco. –Selton, você já percebeu que o seu nome é ridículo?Mas com o Mello tem um som familiar. Deve ser um filme tipo “O Cheiro do Ralo”. Tipo, doidão mesmo. Uma luz pisca. Como uma fênix sedenta por vida ela volta. — Que besteira!Lâmpadas não vivem–, mas volta com força. Pisca até que volta a ser uma lâmpada normal. Agora que já sei o que vai acontecer e presto mais atenção nela. Ela muda de cor. Aumenta o brilho e se apaga novamente. Pode ser outro ensinamento. Tudo sempre volta. A Scarlett Johanssan não é a atriz de “Encontros e Desencontros”? Poxa, eu gostei dela tanto naquele filme, mas estava muito ruim no filme de semana passada. Por que quem gosta de cinema e assiste muitos filmes acabam querendo fazer Cinema? Muita gente gosta de musica, mas os cursos de Música não são tão badalados. Já tem gente entrando na sala. Imagino uma sobrinha e sua tia num programa de segunda. Programa de índio é descer a serra de trem! Se bem que índio não anda de trem e. Ela piscou de volta! Ela sempre volta! Que coisa besta… deve ser algum ensinamento que eu ainda não entendi..Ou é só uma lâmpada que não está nem ai pra mim.Todas se apagam e o filme começa.

De autoria de Luigi Bonanotte

1 comentário

Arquivado em Contos